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Jornal de Piracicaba – Entrevista com Angelo Frias Neto – “O Brasil é o local de oportunidades”

O empresário Angelo Frias Neto é um dos belos exemplos de sucesso na cidade. Desde 1989 no setor imobiliário, ele comanda com dedicação e experiência os negócios. Proprietário da Frias Neto Consultoria de Imóveis, o piracicabano também se coloca à frente de outras entidades, como o Secovi-SP (Sindicato da Habitação de São Paulo), como diretor regional, e Acipi (Associação Comercial e Industrial de Piracicaba), como primeiro vice-presidente. A prova do reconhecimento de seu trabalho está no título de Piracicabanus Praeclarus que a Câmara de Piracicaba lhe entregou em agosto deste ano, durante as comemorações dos 243 anos da cidade. Nesta entrevista, Frias analisa a conjuntura local, nacional e externa. E garante: “O Brasil é o local de oportunidades”.

Como surgiu o seu interesse pelo mercado imobiliário?
Sou engenheiro de produção, formado na Escola Politécnica, em 1979. Fiz meu último ano de estágio na Philips, em São Paulo, e que na época tinha uma unidade de produção em Piracicaba. Me formei, acabei voltando e trabalhei na Philips no desenvolvimento de materiais para novos produtos e em vários departamentos. Queria ter mais liberdade, maior contato com o público, encontrar mais gente. Saí da empresa e tinha algumas alternativas: contato financeiro, Bolsa (de valores), essas coisas, e acabei escolhendo o mercado imobiliário. Não conhecia muitos detalhes, mas tinha uma atração por ver que a pessoa construía, vendia e alugava. E também tinha uma imagem que acabei resgatando, de quando era pequeno, devia ter meus 7 anos. Meu pai assinava o Diário de S. Paulo e tinha a Clineu Rocha, uma imobiliária fundada em 1954, que era líder, a primeira grande imobiliária moderna do Brasil. Apesar de pequeno e não ter noção de nada, eu via os anúncios. Tinha páginas e páginas e um bonequinho que era o logo deles. Como era criança, isso ficou no subconsciente.

Não queria mais trabalhar em um ambiente de escritório…
Tinha a vontade de interação com o público, de não ficar só num escritório, e de todos os dias encontrar uma pessoa diferente, desde a mais simples à mais sofisticada. Todo mundo tem alguma coisa para ensinar, se você tiver o espírito aberto e for receptivo.

E desta forma nasceu a Frias Neto Consultoria de Imóveis, em janeiro de 1989.
Comecei a me preparar em 1988, fui fazer o curso para tirar o Creci, que é uma das obrigações, e no começo de janeiro de 1989, dia 2 ou 3, a gente abriu um escritorinho. Depois de conseguir o Creci, o Sindicato dos Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo promoveu aqui uma semana imobiliária, no Hotel Beira Rio. Foi uma coisa que ajudou no início, pois trouxe a visão das pessoas de fora. Um dos palestrantes era daqui, o doutor Ludovico Trevisan, que foi oficial do 1º Cartório de Registro de Imóveis. É uma pessoa que também me orientou bastante no início, do ponto de vista dos contratos. Uma pessoa boa, muito capaz e de muito conhecimento. E para montar a imobiliária no começo, recorri ao Sindicato dos Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo, fui para São Paulo algumas vezes me orientar no Departamento Jurídico, pegar os modelos, ver como trabalhava.

Qual foi o primeiro endereço?
Na rua São João, 1.021, entre as ruas XV (de Novembro) e a Moraes (Barros). Começamos eu e minha irmã, Walda. Não tinha secretária, nada. Minha irmã mais dava um suporte administrativo e eu fazia tudo: punha placa, ia captar imóvel, na época tinha que ir duas ou três vezes no banco, não podia ficar com o dinheiro, dava 30% de inflação ao mês, às vezes 50%. Era um negócio de louco, né (risos).

Literalmente, começaram do zero…
Começamos em 1989 na São João. Em fevereiro ou março de 2001, nos mudamos para cá (na avenida dos Operários, 587, Cidade Jardim). Essa casa nós reformamos três vezes e conseguimos outras três casas para ampliar essa sede. Depois montamos as lojas no Terras de Piracicaba e na Vila Rezende.

Consegue se lembrar com quantos clientes vocês começaram?
Começamos caçando clientes. Um dos primeiros de locação nosso até foi o doutor José Mitidieri, que faleceu esta semana e era professor aposentado da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz). E meu tio Irineu. Os outros a gente foi procurando conquistar, mostrando um trabalho diferente. Primeiro, não tinha muito relacionamento, porque tinha ficado fora para estudar e tinha um trabalho interno. Tive que desenvolver toda essa parte de relacionamento, fomentar a desinibição, que era uma pessoa muito tímida, muito quieta. Mas apesar dessa característica, tinha vontade de ter contato com as pessoas. E desenvolvi, consegui ser bem melhor do que era (risos).

Como era o mercado na época?
O grau de profissionalismo era pequeno. Entendi que havia um mercado de oportunidades de fazer uma coisa profissional, porque no exterior era tudo mais desenvolvido e mais alguma coisa ainda em São Paulo começando. Isso também foi visto como uma oportunidade para trabalhar como profissional do mercado e além da parte da profissionalização, a oportunidade de você tentar fazer uma coisa bem feita, com ética e transparência. Isso sempre me marcou: a ideia de que à noite você vai deitar e dormir com a consciência tranquila, que fez as coisas da melhor forma possível. Não perfeito, porque somos seres humanos. Não somos perfeitos e somos sujeitos a errar. E nem tenho esta pretensão. Mas a gente tem que caminhar no sentido de procurar essa perfeição. Eu entendo que foi uma das formas que propiciou a gente crescer.

Mas a conjuntura nacional era favorável?
Na locação, por exemplo, tinha muitos problemas. A lei nova de locação só entrou em vigor em dezembro de 1991. A lei anterior, de quando comecei a atuar, desincentivava a pessoa a investir em locação. Só em dezembro de 1991 a nova lei possibilitou uma relação mais equilibrada entre locatário e locador. Além disso, tinha a inflação, que só mudou no final de 1993 e no começo de 1994, com o advento do Plano Real. Mas no Brasil tivemos duas décadas perdidas, 80 e 90. O mercado econômico era difícil. Mas, como a gente fala aos colaboradores, sempre tem oportunidades, gente interessada em comprar, gente que precisa vender, alugar e precisa morar. É só trabalhar direito, não ter medo das coisas, fazer da melhor forma. Certamente você vai ter resultado.

Nessa área, é preciso se preocupar também com os dois lados, o locador e o locatário.
Na época, como o mercado de locação era muito difícil, tinha muito mais gente procurando imóvel do que imóvel para alugar. Quem atuava na época, tratava muito bem os proprietários e deixava o locatário como se fosse uma pessoa que não precisasse dela. Por questão de ética, a gente sempre achou interessante tratar bem o locador, que é a pessoa que nos contrata, e tratar bem, com humanidade, também o outro lado. Depois, com o advento da nova lei e mais a estabilização econômica, que propiciou maior oferta de imóveis, você precisava ir atrás de locatário. E os outros que atuavam de outra maneira acabaram tendo maior dificuldade, porque você precisava de locatário. Algumas pessoas demoraram para entender essa mudança, quando começou a rarear o cliente.

Hoje a Frias Neto possui quantos funcionários?
Nós temos mais de 150 colaboradores, sendo mais de 80 corretores. Mais de 95% foram desenvolvidos internamente para trabalhar na área imobiliária. Não eram pessoas da área. São pessoas que tinham outra ocupação ou nem ocupação tinham. Muitos estão no primeiro emprego ou são estagiários. E nós demos a oportunidade para pessoas terem uma profissão, terem o seu sustento, num trabalho de ponta, de referência que existe no Brasil e no mundo. Isso dá muito mais satisfação: ter pessoas contentes no que fazem e que pegaram um pouco desse amor pelo trabalho que eu tenho, que a gente passa e contamina as pessoas com esse “vírus”.

Percebo que a Frias Neto, além de oferecer os serviços aos clientes, preocupa-se com a formação dos funcionários.
Sempre dei muito valor ao aprendizado. A gente leva os colaboradores para alguns cursos em São Paulo, que é um lugar perto e tem um certo nível de excelência. E também trazemos profissionais de renome para o nosso auditório, tanto do mercado imobiliário quanto do mercado profissional, do ponto de vista empresarial. A gente traz grandes profissionais do Brasil. Temos convênios com a Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba), Faculdade Salesiana. Esse é um dos diferenciais nosso: a formação das pessoas.

Quem da família atua nos negócios e de que forma?
A minha irmã Walda ficou sócia até o ano de 2002 e saiu para trabalhar na parte de produtos químicos na área de tecelagem, fiação. O Marcos Frias é diretor comercial, está comigo desde 1997, é uma das pessoas que ajudou a desenvolver a empresa no sentido de profissionalização. Eu tenho também o meu filho, Ângelo Amaral Frias, que trabalhou em diversas áreas: compras, marketing, e-commerce, corretor de vendas e atualmente está como corretor na área de novos produtos imobiliários. A Celisa, minha esposa, ajuda no marketing. E a Leda, que trabalha na assessoria de comunicação. Além disso, o Sérgio Frias é o gerente da loja da Vila Resende. A gente tem o pessoal da família que trabalha, mas procuro dar um tom profissional para a organização. Dependemos do Departamento de RH, que faz a seleção das pessoas, que cuida do treinamento. Temos um programa de cargos e salários, que terminamos de desenvolver há três meses.

Quais são as principais demandas dos atuais interessados em adquirir imóveis residenciais, comerciais e industriais?
Piracicaba hoje tem demanda de tudo: imóvel comercial, imóvel industrial e imóvel residencial. Tudo! Falta apartamento, falta casa, falta salão e faltam, principalmente, os imóveis bem localizados. Porque imóvel tem três coisas importantes. A primeira é a localização. A segunda é a localização. E a terceira é a localização (risos). Depois vem os outros atributos. Você não tem, por exemplo, um galpão industrial bom em Piracicaba. Você não tem um condomínio de galpões industriais. Há dificuldade, às vezes, de encontrar bons pontos comerciais para alugar, lojas de varejo e salas de escritório. A cidade necessita de casas para moradia, tanto no padrão mais elevado, quanto para o pessoal mais simples, pelo Minha Casa Minha Vida. Hoje faltam apartamentos.

É uma demanda grande…
Eu já notava, nos últimos anos, muita gente de São Paulo e da Região Metropolitana de São Paulo vindo pra Piracicaba morar em busca de qualidade de vida e oportunidades. Não só gente que tinha emprego, mas que queria morar em Piracicaba para abrir seu pequeno negócio, fazer sua prestação de serviço. Porque Piracicaba hoje, na parte de logística, está muito bem situada. Tem a rodovia dos Bandeirantes, que está aqui na porta. Tem a ligação Piracicaba-Anhanguera, também duplicada. E tem a rodovia do Açúcar, uma boa parte duplicada, só falta um trechinho. A estrada de Tietê, uma boa parte duplicada, e Limeira-Rio Claro duplicada. Só para São Paulo são várias alternativas. Piracicaba está perto de grandes centros.

Agora, com a instalação da Hyundai, a procura será maior?
Tem a instalação da Hyundai e seus fornecedores. Mas também tem a instalação do grupo Cosan em Piracicaba, que está se consolidando com a sede administrativa que estão trazendo do Rio de Janeiro, Curitiba e alguma coisa de São Paulo. Ela reúne 22 usinas, mais a Açúcar União e a Esso do Brasil que haviam adquirido, com 750 funcionários aproximadamente. E em 25 de julho, eles assinaram com a Shell. De repente, o prédio está quase pronto e já está pequeno. Vai ser preciso construir um anexo, porque só cabem 750 pessoas e eles precisam para 1.200. Tem o Hospital Regional, que o prefeito agora está iniciando a construção. São coisas que vão incrementar o que já vinha ocorrendo na cidade até de uma forma natural.

Há alguns anos, falava-se que o setor imobiliário em Piracicaba sofreu um grande atraso com a queda do Edifício Comurba. Este atraso foi recuperado e de que forma?
A queda do Comurba, em 1964, num primeiro momento deixou as pessoas com medo de construir. Mas, se você pegar a década de 80 e o começo da década de 90, foi uma época de grande verticalização. Como eram prédios que demoravam muito para serem construídos, eles ficaram prontos no final da década de 90 e começo dos anos 2000. E com um bom tempo de excesso de oferta de apartamentos. Os preços estavam baixos, mas tão baixos, que não compensava fazer. Só que hoje, os apartamentos estão ocupados. A população foi crescendo e, num determinado momento, todo mundo achou que as pessoas só iriam querer condomínio, que não iriam querer prédio. Só que uma parcela da população deseja morar em apartamentos. Hoje os imóveis estão recuperando o preço.

A cidade vive um “boom” imobiliário?
Eu gostaria de colocar até um ponto abordado na Convenção Imobiliária de São Paulo. O Fábio Rossi, proprietário da Itaplan, comentou que não existe uma fase de bolha. Nós estamos retomando o mercado imobiliário no Brasil. Porque o número de financiamentos em 1980 e 1981, quando terminou essa parte de financiamento imobiliário que existia no passado brasileiro, só agora que estamos igualando. Veja a população do Brasil em 1980/1981 e veja a população em 2010. São 30 anos, né? Agora estamos atingindo aqueles números. O Brasil tem muitas características diferentes dos outros países. Nós temos déficit imobiliário: 8 milhões em habitação, que agora já diminuiu com o programa Minha Casa Minha Vida e uma série de ações que o governo federal vem fazendo ao longo dos últimos tempos. Além disso, existe a ascensão social, a migração das classes sociais. Tudo isso gera demandas. Primeiro, pessoas que não tinham imóveis e querem ter. E segundo, pessoas que tinham, foram melhorando de vida e querem melhorar de posição. Tem muita demanda para ser atendida.

Como está o cenário internacional pós crise econômica mundial?
Continua com dificuldade. Melhorou pouca coisa. Os países estão se acertando. Eles vão precisar de um remédio amargo. Apesar do desemprego, não está como a população queria, mas não está ruim.

Os indicadores mostram que o Brasil virou a bola da vez dos investidores interessados no mercado imobiliário? Por quê?
O Brasil é o local de oportunidades. O mundo todo está de olho no Brasil. Felizmente o Brasil tem um mercado interno forte hoje, pela primeira vez em 510 anos de história. A roda está virando dentro do país. Quando deu o problema da crise, no final de 2008, o pessoal estava apavorado, mas eu falava que a gente tinha um mercado interno vibrante, que consome. Agora, continua aumentando o nível de emprego, renda, ascensão social, uma série de coisas. Além disso, a gente tem o bônus demográfico, muito mais gente no período ativo do que no período criança ou se aposentado. Isso também conspira favoravelmente ao desenvolvimento da economia nacional e do mercado imobiliário, porque isso vai gerar demanda de imóvel.

São vários fatores favoráveis…
O financiamento imobiliário é extremamente importante para o mercado, pois imóvel é geralmente um bem de alto valor. E até seis anos atrás, para comprar imóvel era preciso pagar à vista. Para financiar, era tudo burocrático e o juro era alto. O governo veio, desde 2004, aperfeiçoando os programas jurídicos, fazendo trabalhos na diminuição da taxa de juros e possibilitando que os bancos viessem financiar, capitaneados pela Caixa Econômica Federal, que tinha bastante expertise no assunto. Hoje há um grande volume de financiamento imobiliário, como existe em outros países do mundo.

Qual sua opinião sobre o programa do governo federal, Minha Casa Minha Vida?
É o primeiro programa brasileiro com foco em um problema brasileiro secular, que é a habitação das classes menos favorecidas. Nunca foi feito um programa desse em 510 anos. Nisso o nosso presidente tem razão (risos). A gente tem orgulho de dizer que o programa foi montado conjuntamente com a sociedade, principalmente com as entidades organizadas do setor imobiliário. O Secovi é uma entidade muito ativa e o governo, nesse ponto, ouviu muito o empresariado na montagem. O Lula e a Dilma (Rousseff) chamaram o pessoal do mercado, do Secovi, para saber o que fazer. E escutou. Eu até lembro do doutor Romeu Chap Chap falando para mim: “Eu não acreditava que desta vez iriam fazer o que a gente sugeriu”. Foram dadas as sugestões e o governo as acatou.

Neste domingo, elegemos o presidente da República, senadores e deputados. O que o senhor espera que seja feito, em termos de políticas públicas e legislação na área, pelos próximos governantes?
Acredito que o programa Minha Casa Minha Vida, na parte de incentivo à moradia, é extremamente importante para a economia do Brasil e deve ser mantido. O mercado imobiliário é um grande alavancador do desenvolvimento. Agora, um fator extremamente importante no país, e que às vezes é muito negligenciado e, inclusive, favorece outros aspectos, é a educação. Existe uma dificuldade de atacar esse assunto e é uma coisa de resultado a longo prazo. Um país educado diminui seus problemas de saúde, as pessoas têm mais condições de auto-sustentação sem depender de Bolsa Família. A educação, em si, ela consegue alavancar muita coisa. E principalmente porque eu acredito que o importante, para todo mundo, é você dar igualdade de oportunidade. E como se dá essa oportunidade? Pelo acesso à educação. O mundo globalizado quer, cada vez mais, o conhecimento. Precisamos dar essa oportunidade à população brasileira.

Como foi receber, em agosto deste ano, o título de Piracicabanus Praeclarus pela Câmara de Vereadores?
É uma coisa que me deixou feliz. Uma felicidade incomensurável. Não esperava. Entendo que o título foi recebido pelo trabalho que fizemos na empresa e no mercado imobiliário da cidade, para a sua profissionalização. Isso me deixa orgulhoso, contente, principalmente por ser reconhecido pela cidade em que nasci e gosto tanto. É gostoso e importante para a gente continuar dando alento, da gente se superar e trabalhar cada vez melhor. Sempre procurei participar de muitas coisas na cidade, desde o tempo da juventude. Eu participei do Leão Clube, dos jovens do Lions, até foi lá que conheci minha esposa. Desde 1988, eu participo do Rotary Club Povoador, sou um dos sócios-fundadores e fui presidente. E depois, na Associação Comercial Industrial de Piracicaba, tenho 13 anos de atuação. É gostoso participar, fazendo alguma coisa de bem para a comunidade. E também, claro, acaba gerando novos laços de relacionamento e, principalmente, aprendendo com as pessoas.

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