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Experimento no Locomotiva Festival: Gota d’água do ar

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Quem for ao Locomotiva Festival 2015, hoje e amanhã, no Engenho Central (veja a matéria na página 10), vai se deparar com uma torre de 8,5 metros de altura – feita com treliça de bambu e uma cápsula de tecido no interior – que será erguida durante a maratona pop cultural. Trata-se de um projeto experimental que capta umidade do ar e a transforma em água. A engenhoca pretende gerar reflexão acerca do uso da água e da sustentabilidade do planeta.

Dois arquitetos engajados em projetos sustentáveis estão por trás da torre denominada A Gota d’água: o brasileiro André Blanco (da Aldeia Brasil – Arte Arquitetura e Ambiente) e o italiano Gianluca Stasi (do escritório CTRL+Z).

Esta parceria ítalo-brasileira já tem “um histórico de cooperações desenvolvidas em Barcelona”, explica Blanco, fazendo menção a ações envolvendo arquitetura, urbanismo e sustentabilidade. A torre coletora de umidade desenvolvida pelos dois conta com o apoio da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), da Universidade Paulista (Unip) e da Universidade de Sevilha, cidade espanhola onde reside Stasi.

Nos tempos modernos, observa o arquiteto italiano, os primeiros coletores de água surgiram em 1958, quando o físico Carlos Espinosa Arancibia, da Universidade do Chile, desenvolveu um coletor tridimensional para captar água do nevoeiro.

TORRE CILÍNDRICA – O modelo desenvolvido por Stasi e Blanco é baseado numa torre cilíndrica (feita de bambu) que sustenta ao centro uma espécie de ogiva oca (confeccionada em malha raschel), que é a responsável pela captação de umidade do ar e posterior condensação da água. “A água condensa na parede, escorre por gravidade e cai num recipiente”, afirma Blanco.

Por ter uma grande estrutura, o preparo da torre foi iniciado na quinta e prosseguiu ontem, numa fase tida como um workshop – que conta com o envolvimento de estudantes universitários e outros interessados. “Os alunos vieram para participar do workshop e ajudar na montagem. Eles receberão um certificado de participação do workshop, que vai valer como atividade acadêmica. E durante o festival eles serão monitores”, conta Blanco.

“Queremos saber quanto um coletor desse modelo pode captar de água neste condicionante ambiental, ou seja, à beira do rio, com a vegetação local e com uma umidade relativa ‘x’ do ar”, afirma Blanco.

EQUIPAMENTO – Torre é feita de bambu e malha

De acordo com o arquiteto italiano Gianluca Stasi, a intenção é levar o experimento Gota d’água para diferentes cidades do mundo, utilizando materiais nativos e acessíveis conforme o local visitado. “Aqui vamos usar o bambu e a malha raschel”, observa o italiano, que enaltece a presença do experimento no Locomotiva Festival.

“Queremos que a pesquisa e seus resultados tenham contato contínuo com a sociedade. Esse intercâmbio com as pessoas é importante para estimular o debate urbano”, diz.

“A torre é uma intervenção urbana, com pegada de pesquisa, com envolvimento comunitário e curso de capacitação”, define Blanco.

“Mas, no fundo, a gente quer que as pessoas possam desenvolver sistemas de coleta de água como esse em suas casas”, acrescenta.

REALIZAÇÃO E APOIO

Gota d’água é uma realização dos escritórios de arquitetura Aldeia Brasil e CTRL+Z, com o apoio da Solpack, In-Fact, Labore, Unip, Instituto Ambiente Total (ONG), Teia (Tecnologia Educacional Inovação e Aprimoramento) e Espaço Viveiros, que também se fará presente no Locomotiva, com um café numa espécie de praça de convivência construída com paletes.

Texto: Marcelo Rocha
Foto: Del Rodrigues
*Matéria publicada na Gazeta de Piracicaba, dia 26 de setembro de 2015.

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