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Hyundai se prepara para início das produções

Confiram a matéria que saiu no Estadão, em 26 de agosto, sobre a Hyndai Piracicaba. 

A fábrica da Hyundai em Piracicaba, no interior de São Paulo, inicia operações em 20 de setembro já sob pressão do movimento sindical. A reivindicação é por piso salarial similar ao das outras montadoras da região, como as japonesas Toyota e Honda, de R$ 1,6 mil. A Hyundai paga R$ 1,2 mil.

Junto com a parceira Kia Motors, a companhia é a quinta maior fabricante mundial de carros, e essa é sua primeira investida na América Latina. Uma fábrica em Goiás, do grupo brasileiro Caoa, produz alguns veículos da Hyundai, mas sob licença.

No início do mês, o Sindicato dos Metalúrgicos de Piracicaba realizou assembleia nos portões da fábrica e atrasou em uma hora a entrada do 1,5 mil funcionários que estão em treinamento e dão retoques finais para iniciar a montagem do compacto HB20, o primeiro da marca no País.

“Já tivemos 11 reuniões com representantes da Hyundai nos últimos meses, mas a negociação é muito difícil”, diz José Florêncio da Silva, presidente do sindicato, ligado à Força Sindical. O piso salarial dos metalúrgicos em Piracicaba é de R$ 1.064.

Embora a Hyundai pague um pouco mais, o sindicalista defende valor igual ao das demais montadoras do interior de São Paulo, que pagam piso 30% maior. Outro pedido é a redução da jornada de trabalho, que é de 44 horas semanais, enquanto nas outras empresas é de 40 a 42 horas.

Mão de obra. No ano passado, a convite da Hyundai, Silva visitou as fábricas na Coreia do Sul e tentou saber quanto ganha o operário coreano. “Apenas responderam que o salário é bom.”

A mão de obra foi um dos itens da cesta de custos que a Hyundai levou em conta ao escolher Piracicaba para a fábrica, que terá capacidade para 150 mil veículos ao ano. A partir de 2013, estão previstos mais dois modelos, um sedã e um utilitário.

O HB20 vai concorrer com modelos como Volkswagen Gol, Fiat Uno e Ford Fiesta, na faixa de preço abaixo de R$ 30 mil. O investimento é de US$ 600 milhões, mesmo valor aplicado pela japonesa Toyota na fábrica inaugurada no início do mês em Sorocaba, inicialmente para 70 mil unidades ao ano, também de um compacto, o Etios.

O gerente de Relações Públicas da Hyundai, Maurício Jordão, diz que a empresa mantém negociações com o sindicato para discutir a equiparação salarial, mas ressalta que, por ser a primeira montadora na cidade, a “mão de obra ainda está sendo formada”.

Embora a produção comece em setembro e as vendas do HB20 em outubro, a inauguração oficial da fábrica só ocorrerá em novembro, em razão da agenda de executivos e autoridades da Coreia e do Brasil.

No terreno da Hyundai – uma área de 1,39 milhão de metros quadrados doada pela prefeitura -, estão quatro autopeças pertencentes ao grupo: a Dymos (bancos), Hysco (chapas de aço), Mobis (painéis) e Glovis (logística).

Próximo ao complexo estão as coreanas Hwashin (para-choques, peças para porta e barra de direção), Doowon (ar-condicionado), Hanil (interiores), THN (chicotes e outros itens), Myoung Shin (carrocerias), todas recém-chegadas ao País, e a francesa Faurecia (escapamentos), que já atua em Limeira. As dez empresas devem empregar inicialmente 1,3 mil pessoas, com planos de chegar a 3 mil.

O prefeito de Piracicaba, Barjas Negri, diz que está recebendo novas consultas para a instalação de empresas de pequeno e médio portes dos setores de autopeças e transporte de veículos. Altos valores dos terrenos e a suspensão de benefícios fiscais antes oferecidos pela prefeitura, contudo, estão levando novos investimentos para as cidades vizinhas. A Mando (freios ABS) e a DAS Corporation (cintos de segurança), escolheram Limeira.

O escritório TozziniFreire Advogados, que em setembro inaugura unidade em Piracicaba, assessora quatro fabricantes de autopeças da Coreia, Japão e EUA interessadas em se instalar na região. Outro grande escritório de direito, o Demarest & Almeida, também abriu escritório local.

Lenda. Piracicaba abriga outras grandes empresas, como a fabricante de máquinas Caterpillar, com 5,7 mil empregados, e a Dedini, do ramo sucroalcooleiro.

Quando a fábrica foi anunciada, em 2008, chegou-se a falar na criação da “Hyundainópolis”, cidade própria que abrigaria funcionários, muitos deles coreanos. “Isso foi uma lenda”, diz Negri.

As estimativas eufóricas provocaram um boom imobiliário e uma valorização média de terrenos e imóveis de 20% ao ano, informa Angelo Frias Neto, presidente da Associação Comercial de Piracicaba. “Agora, os preços estão se estabilizando”. Entre os novos empreendimentos está a construção de um segundo shopping center, para inauguração em 2014, e a duplicação do atual.

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