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Secovi estima déficit de 6.000 moradias para classes média e alta

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Demanda no setor ficou mais aquecida com a chegada de novas empresas, como a Hyundai

Claudete Campos | Jornal de Piracicaba

O Secovi (Sindicato Patronal da Habitação) estima um déficit de 4.000 a 6.000 moradias em Piracicaba para quem ganha acima de três salários mínimos — abrangendo as classes média e alta — e está fora da faixa da renda que recebe maiores subsídios dos governos federal e estadual para a compra da casa própria.

Empresário do setor imobiliário e diretor regional do Secovi (Sindicato Patronal da Habitação), Angelo Frias Neto disse que a demanda no setor ficou mais aquecida por causa da chegada de novas empresas, como a Hyundai, além de fornecedores e prestadores de serviços que orbitam em torno da concessionária.

A cidade também atrai profissionais e empresários por causada qualidade de vida e da infraestrutura oferecida. Muitos empresários que não precisam de um prédio para realizar seus negócios e viajam muito preferem residir na cidade por causa da qualidade de vida e da proximidades com o Aeroporto Internacional de Viracopos, disse Frias Neto.

Esse aumento por moradia também é explicado pelo crescimento vegetativo da população A procura é maior na faixa de 20 a 50 anos. Muitos moradores deixam a casa dos pais para se casar e procuram imóveis para morarem, o que aquece o setor. E com a ascensão social verificada nos últimos anos, os moradores buscam imóveis de melhor qualidade. Esse boom havia ocorrido nas classes sociais D, E e C, mas, agora, há aquecimento por imóveis entre ocupantes da Classe C que subiram para as classes B e A. Só basta citar que no Brasil 19 pessoas ficam milionárias por dia. E desses novos milionários, 1/3 tem menos de 35 anos.

As cidades que ficam no entorno da Grande São Paulo têm um crescimento acelerado no setor imobiliário, por causa da geração de empregos, pela busca da qualidade de vida e pela fixação da indústria automobilística nas cidades interioranas. “O crescimento do interior faz com que aconteça o boom imobiliário”, afirmou o vice-presidente do Interior do Secovi, Flávio Augusto Ayres Amary.

Em passagem recente por Piracicaba, Amary disse que esta é hora para comprar imóvel tanto para a família dar um upgrade em termos de qualidade de vida quanto para investimento visando uma renda futura. Ele ainda aproveitou para refutar o comentário do ganhador do Prêmio Nobel de Economia, Robert Shiller, que disse que o Brasil pode enfrentar uma bolha imobiliária, nos moldes do que ocorreu nos EUA, em 2008, que provocou a desaceleração econômica no mundo. Shiller falou com base na alta dos imóveis. Nos últimos cinco anos, os imóveis tiveram alta de 225% no Rio de Janeiro e 185% em São Paulo.

O vice-presidente do Interior do Secovi cita três motivos para refutar o comentário do premiado economista. Em primeiro lugar, o Brasil tem uma demanda reprimida por moradia, pois o consumidor não é investidor, ou seja, compra a primeira casa ou quer comprar uma moradia melhor. Então não compra imóveis para especular. Em segundo lugar, o nível de financiamento imobiliário no Brasil é de 7% do PIB (Produto Interno Bruto), enquanto a proporção é de 70% na Espanha. Amary aponta que o crédito imobiliário ainda tem muito espaço para crescer. A terceira razão é que no Brasil o percentual de financiamento é de 70% a 80% do preço dos imóveis. A média no mercado é de financiamento de 60%. O ambiente é diferente dos EUA, em que os norte-americanos fazem hipotecas acima do valor de mercado.

Jornal de Piracicaba | 21.11.2013

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